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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Alice X Alice no País das Maravilhas 3D



Alice in Wonderland - |Tim Burton| 2010.


Alice X Alice no País das Maravilhas 3D

Por Luhtavess as 11:43 p.m (07/05/2010)


Escrever sobre essa personagem nunca foi tarefa fácil para mim, acredito que por tamanha proximidade que sinta em relação a algumas passagens do livro, torne mais complexo transformar em palavras aquilo que sinta ou impressões que venha a ter. Parece que quanto mais intimo seja, mais difícil de explorar e expressar o pensamento.

Quando soube que Tim [Burton] iria filmar, o que pra mim é uma das mais brilhantes e intrigantes histórias já escritas, confesso que me senti um tanto quanto eufórica. Foi como um retorno, há dois anos, quando decidi que faria um trabalho inteiro dedicado a Alice, e assim cumpri com meu desejo. Depois de inúmeras pesquisas e de me lançar em um desafio enorme de ILUSTRAR o livro do País das Maravilhas, finalmente cumpri minha missão. Enfim, a intenção aqui não é falar sobre o meu trabalho, e sim sobre o filme, mas por se tratar do mesmo assunto acaba sendo inevitável.

Eu fui assistir ao filme tendo criado uma expectativa muito grande, em relação à abordagem que Burton daria ao mundo de Alice, inevitavelmente imaginei como seria possível uma representação do País das Maravilhas, que se assemelhasse ao que compreendi durante a execução do meu trabalho de conclusão de curso. EU EXPLICO: Eu fiquei imaginando se haveria semelhanças e diferenças entre a minha representação de Alice e a representação que foi criada para o cinema. Tudo isso parece muito estranho, partindo do simples fato que cada interpretação de Alice é única e pessoal, ou seja, a minha Alice pode não ter nada haver com a do Tim e a do próprio autor – Lewis Carroll, mas pode sim ter pontos em comum, como por exemplo, o simples fato de que muita coisa que é apresentada no texto de Carroll parta de uma linguagem nonsense, de paradoxos, alogismos, enigmas, jogos semânticos, além de imagens do inconsciente.” (MENDONÇA,[s.d] p.42).

Diante disso, percebi que a principal diferença entre nossas interpretações está no fato de que Alice de Burton que já está na fase adulta, retorna ao País das Maravilhas para digamos cumprir uma missão, portanto fica implícito para nós espectadores que ela já conheça aquele universo "maluco", já a Alice que eu criei ainda está na fase de descoberta - digamos que ela ainda esteja na sua 1º visita a esse lugar mágico, ainda é uma criança e ainda tem dúvidas, sobre como vivenciar todas aquelas esperanças novas, talvez seja um pouco de pretensão afirmar isso mas eu sinto como se a personagem do Tim completasse algo que a minha ainda não descobriu. Louco isso não??

Completamente...mas isso que é torna fascinante a narrativa, a possibilidade de pessoas diferentes reescreverem a sua história [dando significado ao que elas consideram importante].

Bom, farei alguns comentários sobre o filme com a intenção de expressar uma opinião pessoal... quero deixar claro que eu sou profundamente admiradora do trabalho do Tim, e que todo o universo criado por ele para essa narrativa complexa, é belo, sublime e merece profunda admiração e respeito.

Sobre o filme:

"O filme como um todo consiste na presença de alguns personagens chave, em primeiro lugar o chapeleiro maluco, que dá um rumo para a história, a rainha vermelha que é maravilhosamente interpretada por Helena Bonham, e por fim a lagarta! Não sei se incluiria a própria Alice nesse balaio, pois em muitos momentos parece estar além daquele universo, exceto pelos momentos de superficial envolvimento com o chapeleiro que parece se encantar por sua beleza e atitude!"


Alguns personagens: "O Chapeleiro e a Rainha vermelha são os personagens em minha opinião melhor construídos por Tim dentro desse universo 3D fantástico . O Mad Hatter (chapeleiro) demonstra em suas atitudes e palavras a sua fragilidade e por vezes a sua alma de criança. O Figurino de caimento mais do que apropriado para o ator Johnny Depp é de uma precisão quase que cirúrgica. A maquiagem vem acompanhando como uma pintura os desenhos traçados pelos gestos do chapeleiro. Ao mesmo tempo em que é maluco, como o próprio nome diz, é singelo, é sublime, é carismático e puro. Fica explícito em alguns momentos do filme a profunda admiração que exerce sobre Alice e a sua constante busca interna para saber quem é realmente."

"Alice: Para mim, a Alice (Mia Wasikowska) do filme não convence muito, em parte por sua atuação quase sem emoção, e também pela falta de envolvimento (emocional) com a história. Eu sempre imaginei Alice uma menina curiosa, apaixonada, questionando coisas a respeito do mundo, mesmo que depois de adulta, e infelizmente não senti isso em relação essa personagem. Alice do filme parece mais conformada em aceitar tudo que acontece com ela, diante de um mundo “imaginário”, do que se sentir incomodada com as coisas “absurdas” que acontecem diante de seus olhos. "

"Rainha Branca: parece estar suspensa durante o filme, é como se ela não estive ali, a personagem parece não se envolver na trama, aparecendo quase que em todas as cenas com a mesma expressão e gesto superficial de mão."

"O melhor diálogo fica para o final do filme quando o chapeleiro propõe a Alice que fique no País das Maravilhas, e ela diz com toda ternura que aquela é uma idéia maluca, mas muito boa, mas que ela não pode, porque há perguntas em seu mundo que ela ainda precisa responder [se referindo ao pedido de casamento que recebera antes de cair na toca do coelho branco]."

"Outro diálogo interessante acontece no momento em que o Chapeleiro está acorrentado a uma mesa no castelo da rainha vermelha, tendo que produzir chapéus para ela...e Alice o encontra, no meio do diálogo ela diz ao chapeleiro que os chapéus são lindos mas que é uma pena ele ter que fazê-los para a rainha, e o chapeleiro em um momento de “reflexão e desespero” se pergunta, se ele estaria ficando louco. Alice segura seu rosto, e com uma mão verifica a temperatura do chapeleiro, e diz provavelmente sim, está completamente louco , pirado, mas quer saber, as melhores pessoas são assim..." [Aqui é possível perceber a fragilidade e a loucura do personagem]

"Quando Alice sai junto com o chapeleiro para cumprir sua missão de matar o jaguadarte, o chapeleiro lhe conta qual a melhor forma para viajar [de chapéu!!] Já que Alice está do tamanho de uma colher..." Genial...

Há muitos outros momentos que poderiam ser comentados,mas procurei manter o foco naquilo que me chamou mais atenção... see ya!